segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sem motivo

A razão até agora apresentada pela diretoria para a proibição foi: estou sofrendo pressão, e há esses incidentes na diretoria de operações... and that’s it. Sequer se preocuparam em motivar adequadamente. Mesmo supondo o mais nobre dos argumentos, argumentando que o ambiente acadêmico não é lugar para bebidas alcoólicas (o que eu acho furado, vide outras grandes universidades que o permitem sem que isso traga empobrecimento acadêmico, aliás, pelo contrário), a decisão seria incoerente, se levarmos em conta o Espaço Bohemia. Por isso penso que a principal questão é: estão nos tratando por moleques.

Garanto que se houvesse uma discussão entre alunos e diretoria e, após exposição de argumentos, fosse decidido pela proibição, ainda poderíamos questionar os argumentos, mas não me inspiraria a revolta que sinto no momento. O problema é que argumentos sequer são necessários. Uma instituição pode ser não-democrática; contudo, não pode ser ilegítima. É muito diferente uma decisão ser tomada de forma hierárquica e de forma autoritária. A segunda envolve a despreocupação com a reação dos demais.

Nós não somos meros subordinados. Não são somente os professores que dão nome à escola, mas também os alunos que vão ao mercado e comprovam expectativas. Não merecemos esse tratamento: se a própria escola atesta que em quatro anos nos tornamos administradores cujas opiniões devem ser respeitadas e seguidas, ela acaba por decretar sua própria incompetência ao desconsiderar opiniões divergentes entre os alunos (e é isso q tem sido feito ultimamente).
Se eles reafirmarem este argumento e pararem o consumo no Espaço Bohemia, me sentirei parcialmente satisfeito, porque ao menos pára a hipocrisia. Só não me sentirei plenamente satisfeito porque nós temos sim argumentos pró-cerveja (questão da integração, como a venda de cerveja não se relaciona diretamente com os incidentes relatados) que a diretoria sequer se dispõe a escutar, destratando a representação discente, e nos levando à conclusão de que estão efetivamente nos excluindo do processo decisório, assim como estão priorizando coisas de pouca importância em relação aos assuntos que precisam ser resolvidos na GV.

Rafael Rossi

sábado, 29 de novembro de 2008

Nota explicativa

A proibição que tem causado tanta polêmica dentro da FGV foi assinada no dia 24 de novembro pelos diretores das três escolas: Yoshiaki Nakano (EESP), Ary Oswaldo Mattos Filho (EDESP) e Maria Tereza Leme Fleury (EAESP). No documento oficial, consta que não é permitido “o consumo de bebidas alcoólicas nas dependências do Diretório Acadêmico e demais entidades estudantis, no prédio da Av Nove de Julho, 2029, bem como nos prédios da Rua Itapeva, 432, e Rua Rocha, 233”.

Segundo consta no documento, a diretoria somente reafirma a proibição emitida em 2002 e assinada pelo então diretor da EAESP, professor Francisco Mazzucca. A permissão ao consumo teria sido provisória, havendo tido vigência de 11 de maio a 14 de outubro de 2004, e não havendo sido renovada então.

Equipe Gazeta Vargas

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Lavando as mãos

Certa vez, um auto-proclamado fascista conhecido meu argumentou que o Brasil é o País dos direitos, mas não dos deveres. Como ele era fascista, não dei muita bola para o que falou. Mas quão certo estava!

Podemos observar, ante a recente proibição, que a Escola não tem nenhuma responsabilidade perante seus alunos que não seja a de garantir o investimento daqueles que pagam a mensalidade. Imagine se a EAESP fosse tentar uma campanha de conscientização quanto ao consumo excessivo de álcool por parte dos alunos? Faculdade no Brasil é para “indoutrinação” visando a um emprego, não há muito mais do que isso. A Fundação Getulio Vargas, visto a recente atitude da nova diretora, tem uma missão muito clara, que é a de competir, e como pode competir uma Escola na qual os alunos têm que ir até à enfermaria tomar soro? Como competir se a Fundação permite que seus alunos fiquem embriagados e logo em seguida saiam a dirigir de volta aos seus lares? De jeito algum, mais fácil proibir, pois se o for, qualquer acidente no qual alguma aluna sem noção que encheu a lata num churrasco da Escola venha a se envolver será por conta da aluna; a Escola terá se eximido de culpa. E não nos esqueçamos de que a diretora é nova no pedaço, e há certa responsabilidade política a qual precisa acatar. Se há hoje um problema de alcoolismo entre os alunos, não é problema dela; a "sociedade" que se vire.

Mais uma vez, como todos têm direitos, mas nunca deveres, a gente pode beber, mas nunca de maneira sã. O DA nunca foi ponto de encontro, e sim um local para “beber”. O DA nunca viu problema nenhum, “quando do primeiro dia de aula”, em incentivar novatos a irem a uma cervejada. E se você tem meros 10% de alunos freqüentando dito local simplesmente para ficarem loucos, a chance de alguém lá fora, na rua, morrer por causa disso é qual? É o mais puro acidente estatístico que nada grave tenha resultado de um Quintal, que algum débil mental não tenha atropelado alguém na rua ao voltar para casa.

Então, como em tudo no Brasil, nós fomos de um extremo cretino (encher a lata a toda hora) para outro extremo cretino (proibir para lavar as mãos). Super. O DA e a Diretora se merecem.

Rafael Kasinski

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

De cervejas e direitos

O clima na FGV está tenso. Fim de semestre, provas finais, e agora mais esta: a professora Maria Tereza, recentemente agraciada com a diretoria da quarta melhor instituição de ensino do País (cansamos de ver isso no site da GV...), agora quer proibir a comercialização de cervejas no DA. Como bem sabe a MT, essa novela já foi vista antes por aqui: logo após a fatídica “Giovanna das fotos”, há alguns anos, a diretoria da EAESP proibiu a venda de cervejas no 1º andar. A gestão M/12 comprou a briga e reconquistou a permissão para que fossem comercializadas cervejas no DA.

Mas agora temos MT, vulgo Dama de Ferro, impondo num momento “conveniente” uma proibição que altera de forma substancial os hábitos dos alunos da Fundação. Certamente a MT aproveitou-se da passividade dos alunos para impor “a Ordem” tal qual por ela idealizada.
A Gazeta Vargas imputou a si mesma o dever de no mínimo questionar essa medida autoritária, própria talvez daquele homem cujo nome estampar-se-á nos diplomas de todos os formados por esta Casa. Assim, este blog visa a debater se, afinal: nós e nossos colegas somos adultos o suficiente para que tenhamos o direito de nos alcoolizar dentro da faculdade? A diretora da EAESP agiu com retidão e segundo os valores excelsos da democracia conquistada com muito sangue e suor neste nosso País?

Para a segunda questão, a Gazeta responde que “não”. Quanto à primeira questão, está aberta a um incendiado debate. Queremos a opinião de nossos leitores, e postaremos as opiniões dos nossos membros.

Equipe Gazeta Vargas