A razão até agora apresentada pela diretoria para a proibição foi: estou sofrendo pressão, e há esses incidentes na diretoria de operações... and that’s it. Sequer se preocuparam em motivar adequadamente. Mesmo supondo o mais nobre dos argumentos, argumentando que o ambiente acadêmico não é lugar para bebidas alcoólicas (o que eu acho furado, vide outras grandes universidades que o permitem sem que isso traga empobrecimento acadêmico, aliás, pelo contrário), a decisão seria incoerente, se levarmos em conta o Espaço Bohemia. Por isso penso que a principal questão é: estão nos tratando por moleques.
Garanto que se houvesse uma discussão entre alunos e diretoria e, após exposição de argumentos, fosse decidido pela proibição, ainda poderíamos questionar os argumentos, mas não me inspiraria a revolta que sinto no momento. O problema é que argumentos sequer são necessários. Uma instituição pode ser não-democrática; contudo, não pode ser ilegítima. É muito diferente uma decisão ser tomada de forma hierárquica e de forma autoritária. A segunda envolve a despreocupação com a reação dos demais.
Nós não somos meros subordinados. Não são somente os professores que dão nome à escola, mas também os alunos que vão ao mercado e comprovam expectativas. Não merecemos esse tratamento: se a própria escola atesta que em quatro anos nos tornamos administradores cujas opiniões devem ser respeitadas e seguidas, ela acaba por decretar sua própria incompetência ao desconsiderar opiniões divergentes entre os alunos (e é isso q tem sido feito ultimamente).
Se eles reafirmarem este argumento e pararem o consumo no Espaço Bohemia, me sentirei parcialmente satisfeito, porque ao menos pára a hipocrisia. Só não me sentirei plenamente satisfeito porque nós temos sim argumentos pró-cerveja (questão da integração, como a venda de cerveja não se relaciona diretamente com os incidentes relatados) que a diretoria sequer se dispõe a escutar, destratando a representação discente, e nos levando à conclusão de que estão efetivamente nos excluindo do processo decisório, assim como estão priorizando coisas de pouca importância em relação aos assuntos que precisam ser resolvidos na GV.
Rafael Rossi
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Assinar:
Postar comentários (Atom)
3 comentários:
Gente! Não nos deixemos passar por hipócritas!
A questão do consumo de cerveja na fundação claramente está causando polêmica. Acredito sim que não devemos abdicar de um direito e de uma conquista nossa. Entretanto, temos que cuidar para não concentrarmos nossas energias nesta causa e negligenciar outras questões tão importantes quanto: e o cigarro????????? Cerveja não pode e cigarro pode? Qual o propósito dos sinais de proibição do uso da droga no primeiro andar?
Nos preocupamos excessivamente com a causa da cerveja ou os membros fumantes das entidades gevenianas não estão interessados na questão do cigarro? Ou os dois? Ou nenhum dos dois e simplesmente desistimos de pressionar os alunos fumantes a não fumarem em locais em que essa prática é proibida?
Digo isso, pois mais desagradável que não poder tomar uma cervejinha depois da prova, no quintal ou na sexta à tarde é almoçar com um senhor fumante expelindo uma senhora fumaça no meu nariz, na minha roupa e na minha comida! Não? Eles nem sequer para fumar na janela...
Devemos incentivar a "cultura" de cobrar sem medo que as pessoas APAGUEM os cigarros em lugares em que seja proibido fumar, e não apenas dizer: você pode fumar para o outro lado?! - isso é ERRADO! Essa postura deve ser de iniciativa dos alunos, com apoio das entidades.
Por isso, 'companheiros', não nos deixemos passar por hipócritas dando valor demais a uma causa e nem sequer lembrar de outras tão importantes quanto.
Peço a reflexão de todos para que tomem uma posição, e então, uma atitude. Jaz aqui a minha.
Obrigada pela atenção,
Renata Zimbarg
Realmente... Às vezes parece que é "sede de briga".
A questão do cigarro é mal resolvida. Parece que todo mundo só quer "poder", e não "dever". Algo como o Rafael Kasinski escreveu...
Se a proibição do cigarro tivesse partido da diretoria, será que haveria argumentos a favor da integração que o cigarro promove? hehe Acontece que a proibição é lei, e mesmo assim ninguém respeita... E esses alunos que não respeitam a Lei querem reivindicar um "direito".
Viva o Brasil!
Concordo q eh uma questão importante. Se tem uma coisa q me incomada profundamente eh cigarro em ambiente fechado.
Só gostaria de ressaltar que, por mais relevante q seja essa discussão (e de modo algum qro q soe irônico, pois concordo 100% com um combate mais expressivo à essa prática ilegal), este espaço foi criado aqui para se discutir outra questão. Essa outra questão não se trata apenas de um direito dos alunos ou da cerveja: envolve mais que isso; envolve como os alunos estão sendo tratados no processo decisório das escolas, a justificação insuficiente por parte da diretoria e, sim, envolve também a cerveja, à qual se associa um fato indissociável que é a falta de um ambiente de integração na FGV.
No texto a que se referem esse comentários, trouxe mto pouco a discussão da cerveja em si e mto mais a falta de coerência da diretoria e falta de motviação e integração do alunos no processo decisório, de modo que falar q "Se a proibição do cigarro tivesse partido da diretoria, será que haveria argumentos a favor da integração que o cigarro promove?" não só é descabido em relação a este texto como acredito que a conclusão q se obtém normalmente eh q o cigarro mais segrega que agrega.
Por fim, aó gostaria de atentar para a falácia proferida sob forma de frase de efeito: "E esses alunos que não respeitam a Lei querem reivindicar um 'direito'".Pra começar que não existe uma identidade plena entre esses alunos q reivindicam, e esses alunos que desrespeitam, o que porsi só desconstrói o argumento. Segundo que direito não é um contrato sinalagmático, onde se um descumpre o outro pode descumprir, ou seja, se o obrigado por lei a desrespeita, isto nunca poderia dar ensejo ao administrador da lei desrespeitar um direito em nada conexo com este desrespeito.
Postar um comentário