A razão até agora apresentada pela diretoria para a proibição foi: estou sofrendo pressão, e há esses incidentes na diretoria de operações... and that’s it. Sequer se preocuparam em motivar adequadamente. Mesmo supondo o mais nobre dos argumentos, argumentando que o ambiente acadêmico não é lugar para bebidas alcoólicas (o que eu acho furado, vide outras grandes universidades que o permitem sem que isso traga empobrecimento acadêmico, aliás, pelo contrário), a decisão seria incoerente, se levarmos em conta o Espaço Bohemia. Por isso penso que a principal questão é: estão nos tratando por moleques.
Garanto que se houvesse uma discussão entre alunos e diretoria e, após exposição de argumentos, fosse decidido pela proibição, ainda poderíamos questionar os argumentos, mas não me inspiraria a revolta que sinto no momento. O problema é que argumentos sequer são necessários. Uma instituição pode ser não-democrática; contudo, não pode ser ilegítima. É muito diferente uma decisão ser tomada de forma hierárquica e de forma autoritária. A segunda envolve a despreocupação com a reação dos demais.
Nós não somos meros subordinados. Não são somente os professores que dão nome à escola, mas também os alunos que vão ao mercado e comprovam expectativas. Não merecemos esse tratamento: se a própria escola atesta que em quatro anos nos tornamos administradores cujas opiniões devem ser respeitadas e seguidas, ela acaba por decretar sua própria incompetência ao desconsiderar opiniões divergentes entre os alunos (e é isso q tem sido feito ultimamente).
Se eles reafirmarem este argumento e pararem o consumo no Espaço Bohemia, me sentirei parcialmente satisfeito, porque ao menos pára a hipocrisia. Só não me sentirei plenamente satisfeito porque nós temos sim argumentos pró-cerveja (questão da integração, como a venda de cerveja não se relaciona diretamente com os incidentes relatados) que a diretoria sequer se dispõe a escutar, destratando a representação discente, e nos levando à conclusão de que estão efetivamente nos excluindo do processo decisório, assim como estão priorizando coisas de pouca importância em relação aos assuntos que precisam ser resolvidos na GV.
Rafael Rossi
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
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