segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Sem motivo

A razão até agora apresentada pela diretoria para a proibição foi: estou sofrendo pressão, e há esses incidentes na diretoria de operações... and that’s it. Sequer se preocuparam em motivar adequadamente. Mesmo supondo o mais nobre dos argumentos, argumentando que o ambiente acadêmico não é lugar para bebidas alcoólicas (o que eu acho furado, vide outras grandes universidades que o permitem sem que isso traga empobrecimento acadêmico, aliás, pelo contrário), a decisão seria incoerente, se levarmos em conta o Espaço Bohemia. Por isso penso que a principal questão é: estão nos tratando por moleques.

Garanto que se houvesse uma discussão entre alunos e diretoria e, após exposição de argumentos, fosse decidido pela proibição, ainda poderíamos questionar os argumentos, mas não me inspiraria a revolta que sinto no momento. O problema é que argumentos sequer são necessários. Uma instituição pode ser não-democrática; contudo, não pode ser ilegítima. É muito diferente uma decisão ser tomada de forma hierárquica e de forma autoritária. A segunda envolve a despreocupação com a reação dos demais.

Nós não somos meros subordinados. Não são somente os professores que dão nome à escola, mas também os alunos que vão ao mercado e comprovam expectativas. Não merecemos esse tratamento: se a própria escola atesta que em quatro anos nos tornamos administradores cujas opiniões devem ser respeitadas e seguidas, ela acaba por decretar sua própria incompetência ao desconsiderar opiniões divergentes entre os alunos (e é isso q tem sido feito ultimamente).
Se eles reafirmarem este argumento e pararem o consumo no Espaço Bohemia, me sentirei parcialmente satisfeito, porque ao menos pára a hipocrisia. Só não me sentirei plenamente satisfeito porque nós temos sim argumentos pró-cerveja (questão da integração, como a venda de cerveja não se relaciona diretamente com os incidentes relatados) que a diretoria sequer se dispõe a escutar, destratando a representação discente, e nos levando à conclusão de que estão efetivamente nos excluindo do processo decisório, assim como estão priorizando coisas de pouca importância em relação aos assuntos que precisam ser resolvidos na GV.

Rafael Rossi

3 comentários:

Renatinha disse...

Gente! Não nos deixemos passar por hipócritas!
A questão do consumo de cerveja na fundação claramente está causando polêmica. Acredito sim que não devemos abdicar de um direito e de uma conquista nossa. Entretanto, temos que cuidar para não concentrarmos nossas energias nesta causa e negligenciar outras questões tão importantes quanto: e o cigarro????????? Cerveja não pode e cigarro pode? Qual o propósito dos sinais de proibição do uso da droga no primeiro andar?
Nos preocupamos excessivamente com a causa da cerveja ou os membros fumantes das entidades gevenianas não estão interessados na questão do cigarro? Ou os dois? Ou nenhum dos dois e simplesmente desistimos de pressionar os alunos fumantes a não fumarem em locais em que essa prática é proibida?
Digo isso, pois mais desagradável que não poder tomar uma cervejinha depois da prova, no quintal ou na sexta à tarde é almoçar com um senhor fumante expelindo uma senhora fumaça no meu nariz, na minha roupa e na minha comida! Não? Eles nem sequer para fumar na janela...
Devemos incentivar a "cultura" de cobrar sem medo que as pessoas APAGUEM os cigarros em lugares em que seja proibido fumar, e não apenas dizer: você pode fumar para o outro lado?! - isso é ERRADO! Essa postura deve ser de iniciativa dos alunos, com apoio das entidades.
Por isso, 'companheiros', não nos deixemos passar por hipócritas dando valor demais a uma causa e nem sequer lembrar de outras tão importantes quanto.
Peço a reflexão de todos para que tomem uma posição, e então, uma atitude. Jaz aqui a minha.
Obrigada pela atenção,

Renata Zimbarg

Alípio Ferreira disse...

Realmente... Às vezes parece que é "sede de briga".

A questão do cigarro é mal resolvida. Parece que todo mundo só quer "poder", e não "dever". Algo como o Rafael Kasinski escreveu...

Se a proibição do cigarro tivesse partido da diretoria, será que haveria argumentos a favor da integração que o cigarro promove? hehe Acontece que a proibição é lei, e mesmo assim ninguém respeita... E esses alunos que não respeitam a Lei querem reivindicar um "direito".

Viva o Brasil!

Rafael Rossi disse...

Concordo q eh uma questão importante. Se tem uma coisa q me incomada profundamente eh cigarro em ambiente fechado.
Só gostaria de ressaltar que, por mais relevante q seja essa discussão (e de modo algum qro q soe irônico, pois concordo 100% com um combate mais expressivo à essa prática ilegal), este espaço foi criado aqui para se discutir outra questão. Essa outra questão não se trata apenas de um direito dos alunos ou da cerveja: envolve mais que isso; envolve como os alunos estão sendo tratados no processo decisório das escolas, a justificação insuficiente por parte da diretoria e, sim, envolve também a cerveja, à qual se associa um fato indissociável que é a falta de um ambiente de integração na FGV.
No texto a que se referem esse comentários, trouxe mto pouco a discussão da cerveja em si e mto mais a falta de coerência da diretoria e falta de motviação e integração do alunos no processo decisório, de modo que falar q "Se a proibição do cigarro tivesse partido da diretoria, será que haveria argumentos a favor da integração que o cigarro promove?" não só é descabido em relação a este texto como acredito que a conclusão q se obtém normalmente eh q o cigarro mais segrega que agrega.

Por fim, aó gostaria de atentar para a falácia proferida sob forma de frase de efeito: "E esses alunos que não respeitam a Lei querem reivindicar um 'direito'".Pra começar que não existe uma identidade plena entre esses alunos q reivindicam, e esses alunos que desrespeitam, o que porsi só desconstrói o argumento. Segundo que direito não é um contrato sinalagmático, onde se um descumpre o outro pode descumprir, ou seja, se o obrigado por lei a desrespeita, isto nunca poderia dar ensejo ao administrador da lei desrespeitar um direito em nada conexo com este desrespeito.